Entrevista da Revista Isto é . Onde as religiões se encontram



Onde as religiões se encontram

Na Casa da Reconciliação, representantes de diversas crenças unem-se para mostrar que é possível conviver pacificamente mesmo quando a fé é diferente

Crédito: GABRIEL REIS

ECUMENISMO O judeu Raul, o muçulmano Atilla, a mórmon Ruth e o padre Bizon: cada um com sua fé, mas juntos por um mundo melhor (Crédito: GABRIEL REIS)

O riso corre solto entre o cônego José Bizon, o judeu Raul Meyer, o muçulmano Atilla Kus e Ruth Junginger de Andrade, membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, conhecida como Igreja Mórmon. É hora da foto que ilustra esta reportagem e o quarteto se diverte enquanto tenta seguir a orientação do fotógrafo. Eles estavam na sala de estar da Casa da Reconciliação, em São Paulo, um lugar pertencente à Igreja Católica aberto ao diálogo inter-religioso. Dito assim, de maneira mais formal, parece algo burocrático. Quem conhece o lugar e os vê juntos, brincando uns com os outros, descobre o que é na prática o significado do respeito à crença alheia e, principalmente, que é possível conviver com o diferente. Afinal, apesar das distinções entre as religiões, todos eles desejam a mesma coisa: “tikun olam”, a expressão judaica que significa trabalhar para melhorar o mundo e torná-lo mais harmonioso. “Esta é a lição mais importante do nosso trabalho”, afirma Bizon.

Além dos católicos, judeus e muçulmanos, participam das atividades representantes de outras religiões de origem cristã, como os mórmons e os luteranos, de raízes africanas, como a umbanda e a ioruba, e também do budismo. O objetivo é divulgar às pessoas que o amor ao próximo é o denominador comum às religiões e não o contrário. “O desconhecimento das pessoas em relação às religiões é o grande problema”, diz Raul Meyer, diretor da Federação Israelita de São Paulo na área do Diálogo Inter-religioso. “Há a formação de uma minoria que radicaliza enquanto a maioria silencia.”

 Combate aos ataques
JUNTOS O judeu Raul e o padre Bizon participam do Ramadã dos muçulmanos. No detalhe, a Bíblia, o Alcorão e a Torá estão lado a lado na estante da casa católica (Crédito:Divulgação)

 O mundo, de fato, está repleto de um ódio religioso que grita nas redes sociais e que, de tempos em tempos, produz tragédias em nome de Deus. A última aconteceu na sexta-feira 15, na Nova Zelândia, quando um atirador matou 50 pessoas em duas mesquitas na cidade de Christchurch. O sentimento de raiva está calcado em falta de informação e em estereótipos sem sentido, como o de que muçulmanos são terroristas. Nada está tão longe da religião, fundamentada na prática do amor e na valorização da vida. “Quando alguém de nossa religião mata, ele perde sua essência de muçulmano porque, para nós, ser muçulmano significa respeitar a vida”, explica o turco Atilla Kus, secretário-geral do Centro Islâmico e de Diálogo Inter-religioso e Intercultural.

GABRIEL REIS

Até há alguns anos, o Brasil parecia estar distante das ondas de ódio religioso. No entanto, o fenômeno ganha terreno aqui e tem como alvo principal as religiões de matriz africana. Segundo o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos humanos, entre 2011 e 2016 as denúncias de intolerância religiosa cresceram 4.960% no País. A maioria dos ataques (178) foi contra integrantes de crenças de raiz africana. Às vezes, a impressão é que se trata de uma guerra na qual só o lado da raiva é vitorioso. Mas trabalhos como os da Casa da Reconciliação evidenciam que há uma contrapartida forte transmitindo a mensagem da convivência pacífica. “Somos todos filhos de Deus que podem se unir em favor do amor e não do ódio”, diz Ruth de Andrade, da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. E conviver significa respeitar as diferenças de práticas. “Quando me encontro com a mãe de santo, peço a sua benção”, conta a monja Heishin, praticante do zen-budismo.

Todos os meses, eles reúnem as famílias em um almoço para o qual cada um leva pratos comuns às suas origens. No início, há cerca de dois anos, havia certo estranhamento entre judeus e muçulmanos. Hoje, homens, mulheres e crianças interagem como amigos, demonstrando que nenhuma distinção religiosa torna um ser humano diferente ou melhor do que o outro. As mulheres, inclusive, preparam um livro com receitas de refeições partilhadas nos encontros. Praticantes de outra fé já participaram do Ramadã, período no qual os muçulmanos jejuam de dia e alimentam-se depois do por do sol. Eles são convidados pela comunidade, que tem o cuidado, inclusive, de incluir no cardápio a comida kosher consumida pelos judeus. É com gestos assim que o ódio religioso será combatido. Ou com atitudes como a da primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern. Um dia após os ataques, ela foi até os familiares das vítimas. Cobrindo a cabeça com um lenço preto disposto como o hijab das muçulmanas, ela não falou nada. Apenas abraçou os que sofriam, levando a eles, em cada abraço, a solidariedade do mundo todo.

APOIO Um dia após os ataques na Nova Zelândia, a primeira-ministra Jacinda levou sua solidariedade às vítimas (Crédito:Hagen Hopkins)

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Dom Pagano: abertura arquivos mostrará a todos a grandeza de Pio XII



Ajuda aos deslocados durante o pontificado de Pio XII (Arquivo Santa Sé)

Dom Pagano: abertura arquivos mostrará a todos a grandeza de Pio XII

A abertura dos arquivos sobre Pio XII, decidida pelo Papa Francisco, permitirá um estudo aprofundado sobre o Papa Pacelli, muitas vezes superficialmente criticado. Foi o que disse o prefeito do Arquivo Secreto Vaticano. Em um ano estarão disponíveis os documentos do Papa, da Cúria e das representações pontifícias de 1939 a 1958.

Sergio Centofanti – Cidade do Vaticano

O Papa Francisco, recebendo em audiência os superiores, os funcionários e os colaboradores do Arquivo Secreto Vaticano, anunciou nesta segunda-feira (04/03) seu desejo de abrir os arquivos da Santa Sé relativos ao pontificado de Pio XII em 2 de março de 2020. Os pesquisadores qualificados poderão assim tomar visão de uma grande quantidade de documentos recolhidos no Vaticano no período que vai de 2 de março de 1939 a 9 de outubro de 1958. É um anúncio há muito esperado por estudiosos que coincide com o octogésimo aniversário da eleição de Eugenio Pacelli.

Os detalhes da iniciativa estão descritos em um artigo de Dom Sérgio Pagano, Prefeito do Arquivo Secreto Vaticano, publicado na edição do L’Osservatore Romano desta segunda-feira e antecipado pela Sala de Imprensa da Santa Sé. “A importante iniciativa do Papa Francisco – escreve Dom Pagano no artigo – teve um longo período de preparação, durante o qual os arquivistas do Arquivo Secreto Vaticano e seus colegas em outros arquivos do Vaticano realizaram um paciente trabalho de ordenamento, pequisa e inventário dos muitos documentos “.

O prefeito recorda que, em 2004, São João Paulo II, já tinha disponibilizado aos pesquisadores documentos do Serviço Vaticano Informações sobre os prisioneiros de guerra (1939-1947) do Arquivo Vaticano, “composto por 2.349 unidades de arquivo, divididas em 556 envelopes, 108 registros e 1.685 caixas de documentos, com um arquivamento em ordem alfabética, o que equivale a cerca de 2 milhões e 100 mil fichários nominativos, relativos aos militares e aos civis prisioneiros, dispersos ou internados, dos quais se estavam procurando notícias. Documentos ainda muitos solicitados por parte de estudiosos privados ou de parentes dos prisioneiros mortos”.

Após a abertura do pontificado de Pio XI (1922-1939) em 2006, por desejo de Bento XVI, “já se trabalhava para a progressiva preparação do material documental de Pio XII, que muitos estudiosos solicitavam com crescente insistência”. A quantidade de trabalho “foi certamente enorme” e o trabalho durou até hoje. Na sequência da decisão do Papa Francisco “serão abertas – explica o prefeito Pagano – até outubro de 1958 o Arquivo Secreto Vaticano, o Arquivo Histórico da Seção para as Relações com os Estados da Secretaria de Estado, O Arquivo Histórico da Congregação para a Doutrina da Fé, o Arquivo Histórico da Congregação para a Evangelização dos Povos, o Arquivo Histórico da Congregação para as Igrejas Orientais, os Arquivos da Fábrica de São Pedro e, segundo modalidades e formas e diferentes de acesso, também outros Arquivos Históricos de Congregações, de Dicastérios, Escritórios e Tribunais, a critério de seus relativos superiores”.

Cada um desses arquivos tem suas próprias regras, sistemas de reservas e naturalmente índices e inventários relativos à sua documentação que agora se torna disponível.

Limitando-se a descrever apenas as novas fontes do Arquivo Secreto que estarão disponíveis para os estudiosos, Dom Pagano menciona cerca de 151.000 posições (cada uma dos quais consiste de dezenas de folhas) da Secretaria de Estado. Destes documentos, foram preparadas precisas descrições informáticas também disponíveis em papel (são 68 volumes de índices). Depois, há os chamados “envelopes separados”, que conservam a documentação por temas ou instituições, organizados pela Secretaria de Estado, em “um total de 538 envelopes, dos quais será feita uma lista descritiva precisa”. Da mesma fonte, “as 76 unidades chamadas agora Cartas Pio XII, conterão manuscritos de Eugenio Pacelli antes do pontificado e durante o pontificado, assim como os textos de seus muitos discursos, às vezes com correções autógrafas”. Há também três outros consistentes “arquivos especiais”. O primeiro é o da Comissão de Socorro, o segundo é simplesmente chamado de Beneficência Pontifícia, e o terceiro é o do Escritório Migração, criado para enfrentar o problema da repatriação de vários prisioneiros e refugiados, bem como o crescente problema da migração causada pela pobreza de certos Países europeus.

Estarão também disponíveis os documentos de representações pontifícias: “De cada representação pontifícia foi preparado o inventário detalhado, guia indispensável para o pesquisador (cerca de 81 índices num total de mais de 5.100 envelopes). Também esses inventários poderão ser consultados na rede intranet do Arquivo Vaticano para comodidade dos estudiosos e para facilitar a sua pesquisa em vários campos”.
Em suma, uma obra gigantesca de catalogação “à qual se dedicaram com constância e exclusividade vinte funcionários do Arquivos Vaticano, auxiliados também, sempre que possível, por graduados diplomados na Escola de Paleografia, Diplomática e Arquivo do mesmo Arquivo Secreto. “E o mesmo discurso vale também para os outros arquivos históricos da Cúria Romana que serão agora abertos sobre o pontificado de Pacelli. “Certamente um grande esforço – escreve ainda Dom Pagano – mas creio que seja um esforço sustentado pelo grande entusiasmo, porque se tinha consciência de trabalhar em prol da futura pesquisa histórica em relação a um período crucial para a Igreja e para o mundo. Esses documentos falaram, falam, e eu espero que falarão aos pesquisadores e aos historiadores de uma quase sobre-humana obra de cristão “humanismo” (falou-se de “diplomacia da caridade”), ativa na conglomeração tempestuosa daqueles eventos que, em meados do século XX, pareciam determinados a aniquilar a própria noção de civilização humana”.

“Sobre esse triste, ou melhor terrível cenário – conclui o prefeito do Arquivo Secreto Vaticano – seja antes da última guerra, seja durante seu trágico desenvolvimento, seja depois dela, se destaca com conotações próprias a grande figura de Pio XII, muito superficialmente julgada e criticada por alguns aspectos do seu pontificado. Agora, graças também à recente abertura desejada com confiança pelo Papa Francisco, creio que a sua figura possa encontrar entre os historiadores quem a saiba investigar, sem preconceitos, e com a ajuda dos novos documentos, toda a sua real abrangência e riqueza”.

A pesquisa no Arquivo Secreto Vaticano, como indicado no website (http://asv.vatican.va/content/archiviosegretovaticano/it/consultazione/accesso-e-consultazione.html) é “gratuita e aberta a estudiosos qualificados, que tenham interesse em realizar investigações científicas. A exigência é a posse do título de Licenciatura (cinco anos) ou de outro diploma universitário equivalente (para os eclesiásticos o diploma ou o doutorado)”. É necessário dirigir o pedido ao prefeito, indicando as razões para a pesquisa e acompanhar o pedido com uma “carta de apresentação de um Instituto de pesquisa histórico-cientifico acreditado ou de uma pessoa qualificada no campo da pesquisa histórica (Professor titular de cátedra universitária)”. Deve também anexar o certificado do último título acadêmico obtido

cRÉDITOS; Sergio Centofanti – Cidade do Vaticano

https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2019-03/dompagano-abertura-arquivos-mostrara-todos-grandeza-pio-xii.html

Papa anuncia abertura dos arquivos do Pontificado de Pio XII



Papa Pio XII em visita aos lugares do bombardeio em Roma em 19 de julho de 1943

 

Papa anuncia abertura dos arquivos do Pontificado de Pio XII

O Papa anunciou sua “decisão de abrir à consulta dos pesquisadores a documentação arquivística atinente ao Pontificado de Pio XII, até sua morte, ocorrida em Castel Gandolfo em 9 de outubro de 1958”, ao receber em audiência esta segunda-feira (04/03) os responsáveis e os funcionários do Arquivo Secreto Vaticano

Raimundo de Lima – Cidade do Vaticano

“Decidi que a abertura dos Arquivos Vaticanos referentes ao Pontificado de Pio XII se dará em 2 de março de 2020, exatamente à distância de um ano do octogésimo aniversário da eleição de Eugenio Pacelli à Cátedra de Pedro.”

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Foi o anúncio feito pelo Papa Francisco ao receber em audiência ao meio-dia desta segunda-feira (04/03) na Sala Clementina, no Vaticano, os responsáveis e os funcionários do Arquivo Secreto Vaticano, um grupo de 75 pessoas.

Dirigindo-se ao prefeito, vice-prefeito, arquivistas, assistentes e funcionários do Arquivo Secreto Vaticano situou o encontro por ocasião da alegre celebração, sábado passado, dos oitenta anos da eleição a Sumo Pontífice, em 2 de março de 1939, do Servo de Deus Pio XII.

Figura de Pio XII hoje oportunamente colocada na justa luz

A figura daquele Pontífice, que conduziu a Barca de Pedro num momento entre os mais tristes e sombrios do Séc. XX, agitado e em vários lugares dilacerado pelo último conflito mundial – disse o Santo Padre –, com o período consequente de reorganização das Nações e a reconstrução pós-bélica, esta figura foi questionada e estudada em vários seus aspectos, por vezes colocada em discussão e até mesmo criticada (se diria com alguns preconceitos ou exageros). Hoje essa figura é oportunamente reavaliada e, aliás, colocada na justa luz por suas poliédricas qualidades: sobretudo pastorais, mas também teológicas, ascéticas, diplomáticas, enfatizou.

Em seguida, Francisco ressaltou ao presentes que por desejo do Papa Bento XVI eles estão desde 2006 trabalhando num projeto comum de inventário e preparação da volumosa documentação produzida durante o Pontificado de Pio XII, a qual em parte seus veneráveis predecessores São Paulo VI e São João Paulo II já tornaram consultáveis.

Trabalho dos arquivistas no silêncio e distante dos clamores

Referindo-se à atividade desempenhada por todos eles, o Papa destacou que se trata de um trabalho que se realiza no silêncio e distante dos clamores, cultiva a memória, e num certo sentido, disse, “me parece que possa ser comparado à cultivação de uma árvore majestosa, cujos ramos estão voltados para o céu, mas cujas raízes estão solidamente fincadas na terra”.

“Se compararmos essa árvore à Igreja, vemos que ela está voltada para o Céu, onde se encontra a nossa pátria e o nosso último horizonte; as raízes, porém, fincam no terreno da própria Encarnação do Verbo, na história, no tempo”, disse ainda.

“Vocês, arquivistas, com sua paciente fadiga trabalham sobre essas raízes e contribuem para mantê-las vivas, de tal modo que também os ramos mais verdes e mais jovens da árvore possam ter boa seiva para seu crescimento no futuro”, acrescentou.

Arquivo completo do Pontificado de Pio XII

“Este constante e não leve esforço, de vocês e de seus colegas, me permite hoje, em recordação daquela significativa data, anunciar a minha decisão de abrir à consulta dos pesquisadores a documentação arquivística atinente ao Pontificado de Pio XII, até sua morte, ocorrida em Castel Gandolfo em 9 de outubro de 1958.”

 Assumo essa decisão, continuou Francisco, “tendo ouvido o parecer de meus mais estreitos colaboradores, com ânimo sereno e confiante, certo de que a séria e objetiva pesquisa histórica saberá avaliar na justa luz, com crítica apropriada, momentos de exaltação daquele Pontífice e, sem dúvida, também momentos de graves dificuldades, de decisões difíceis, de humana e cristã prudência, que a alguém poderá parecer reticência, e que ao invés foram tentativas, humanamente também muito difíceis, para manter acesa, nos períodos mais sombrios e de crueldade, a chama das iniciativas humanitárias, da silenciosa, mas ativa diplomacia, da esperança em possíveis boas aberturas dos corações”.

Igreja não tem medo da história

“A Igreja não tem medo da história, aliás, a ama e quer amá-la mais e melhor, como Deus a ama! Portanto, com a mesma confiança de meus Predecessores, abro e confio aos pesquisadores esse patrimônio documentário.”

O Santo Padre concluiu encorajando os responsáveis e funcionários do Arquivo Secreto Vaticano, bem como os professores da Escola Vaticana de Paleografia, Diplomática e Arquivística, a prosseguir no trabalho de assistência aos pesquisadores – assistência científica e material – e também na publicação das fontes do Papa Pacelli que serão consideradas importantes, como já o estão fazendo há alguns anos.

CRÉDITOS: Raimundo de Lima – Cidade do Vaticano

https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2019-03/papa-francisco-anuncia-abertura-arquivos-pontificado-pio-xii.html

NOTICIAS CNBB



Simpósio Ecumênico, coordenado pela CNBB, propõe diálogo Católico-Pentecostal

Simpósio Ecumênico, coordenado pela CNBB, propõe diálogo Católico-Pentecostal 

Tratando da temática “o Espírito e a Igreja: perspectivas do diálogo Católico-Pentecostal” ocorreu em Jundiaí (SP), no Centro de Convivência Mãe do Bom Conselho, durante os dias 1 a 3 de fevereiro o Simpósio Ecumênico, evento anual promovido pela Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Inspirados por Efésios 4,3 “Guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz”, o encontro possibilitou a reunião entre agentes do ecumenismo: bispos, padres, religiosos e religiosas, cristãos leigos e leigas e outros interessados na temática.

Na abertura do evento dom Francisco Biasin ressaltou ser “aprender o estilo ecumênico de viver que é o acolhimento à preciosidade da outra pessoa e da construção de um caminho apesar das nossas diferenças. Grandes diferenças, grandes riquezas e o desejo enorme de colocar tudo em comum e viver em unidade. Uma palavra que o Papa Francisco repete frequentemente: ‘juntos’. Ele não se cansa de dizer caminhar juntos, trabalhar juntos, orar juntos. Esta palavra – juntos – tem sobretudo na oração de Jesus e no Evangelho de São João a sua raiz que convida a essa experiência de viver como irmãos que andam juntos”.

O encontro iniciou com provocação sobre o “Espírito e a Igreja diálogo Católico-Pentecostal” ministrada pelo do padre Marcial Maçaneiro professor da PUC PR e membro da Comissão Internacional para o Diálogo Católico-Pentecostal. Ele destacou que “para além de nossas divisões, temos todos a mesma fonte: a fé em Jesus Cristo, na unção do Espírito Santo. Ele é o Espírito da verdade, que nos inspira viver reconciliados, em amor. Como anunciar aos outros o Evangelho do amor e da paz, se ainda não vivemos assim entre nós, cristãos? ”.

Na sequência da programação, o pastor José Carlos Marion, membro da direção do (Encontro de Cristãos na Busca de Unidade e Santidade (EnCristus) relatou sobre os “Caminhos e testemunhos do Diálogo Católico-Pentecostal”. Ele ressaltou que na caminhada do EnCristus “tanto Católicos e Evangélicos aprendem crescendo na diversidade de dons e revelações. Trocamos a Água de nossas fontes, sendo a diversidade de cada de nós a nossa riqueza”. Ao fim do dia, a Família Abrahâmica, grupo de São Paulo, que reúne casais Católicos, Judeus e Mulçumanos, partilhou as ações que realizam tendo como objetivo testemunhar a possibilidade de convívio, amizade e reflexão fraterna através da fé e da diversidade.

No domingo, 3/2, dom Francisco Biasin pontuou destaques relevantes em relação ao “Ecumenismo no Pontificado do Papa Francisco” testemunho que se baseia no exemplo e gestos de reconhecimento do outro que marca uma nova época, uma “primavera” para o acolhimento e anúncio da paz.

Como assessor da Comissão para o Ecumenismo, padre Marcus Guimarães reconhece que esses encontros, além das dimensões espiritual e formativa, também “revelam o despertar lento, mas constante, de novas lideranças para a causa ecumênica e inter–religiosa nos regionais da CNBB. E isto muito nos alegra! Nossa experiência, como cristãos tem nos mostrado, sempre mais, que o ecumenismo passa pelo coração. A importância da temática estudada neste ano no Simpósio, nos ajuda a entender a complexidade do Pentecostalismo, um dos maiores e mais novos desafios da Caminhada ecumênica”.
GREDIRE – A reunião do GREDIRE realizada no dia 1º de fevereiro contou a partilha de regionais dos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. Na pauta, ainda foram ressaltados os trabalhos e atividades que acontecem no país, como a possibilidade e planejamento de encontros Ecumênicos Estaduais e Regionais, como a possibilidade de uma nova Campanha da Fraternidade Ecumênica em 2021, reforço nos trabalhos das Comissões Bilaterais e propostas para a nova composição da Comissão a ser eleita na 57ª Assembleia Geral da CNBB que ocorrerá 1 e 10 de maio de 2019.
O Grupo de Reflexão de Ecumenismo e Diálogo Religioso (Gredire) é composto por representantes leigos e sacerdotes de distintos regionais da CNBB e integra a Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso presidida por dom Francisco Biasin e composta por Dom Zanoni Demettino Castro, Dom Manoel João Francisco e pelo assessor Pe. Marcus Barbosa Guimarães.
http://www.cnbb.org.br/simposio-ecumenico-coordenado-pela-cnbb-propoe-dialogo-catolico-pentecostal/

CNBB Divulga Encontro Ecumênico do Regional sul em Jundiaí



Encontro ecumênico em Jundiaí reúne cristãos de diferentes denominações

 


Cardeal Odilo Pedro Schrer presidente da comissão para o ecumenismo, prestigiou o Encontro.

Realizado entre os dias 21, 22 e 23 de setembro de 2018, em Jundiaí, no Centro de Convivência Mãe do Bom Conselho, o Encontro da Comissão para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-Religioso do Regional Sul 1 da CNBB.

O evento teve a participação de cerca de 60 pessoas entre pastores luteranos e presbiterianos independentes, padres, religiosos, agentes de pastoral, lideranças ecumênicas de comunidades paroquiais, leigos e leigas engajados no movimento ecumênico do estado de São Paulo e também lideranças ecumênicas do Paraná.

Uma dupla de São José dos Campos animou todo o encontro, tocando violão, cantando e levando toda a assembleia a cantar com muito entusiasmo, lembrando que “somos gente da esperança, que caminha rumo ao Pai”.

Equipes dos diferentes Núcleos Regionais foram encarregadas dos momentos orantes, desde a Oração de Abertura até a Celebração de envio. Todos os momentos de oração foram intensos e estavam muito bem preparados, fortalecendo, ainda mais, a nossa união.

O Pastor Fernando Bortoletto, da Igreja Presbiteriana Independente, apresentou durante a manhã fundamentação bíblica. Ele iniciou lembrando que a Bíblia é a base da nossa fé. É ponto de encontro de irmãos. Comentou o termo Ecumenismo- “OIKOMENE”, casa, lugar comum. Lembrou que Ecumenismo é um Movimento… uma prática, uma questão de coração, de conversão. É a busca da unidade. Uma prática que tem em vista a unidade, a abertura em relação ao outro. E, acrescentou que a abertura ao outro nos leva a uma abertura ao totalmente Outro – Deus.

Lembrou ainda que a Bíblia é, em si mesma, ecumênica. E comentou a diversidade na Formação da Bíblia, por ser escrita por autores e em épocas diferentes. No final de sua fala citou Mc 9,38 concluindo que “Não temos direito de ter ciúmes, na Obra de Deus”.

O padre Marcos Barbosa Guimarães, assessor da CNBB para o Ecumenismo, fez uma apresentação sobre Fundamentos Teológicos do Ecumenismo. Citou documentos da Igreja sobre o tema, comentando encíclicas de vários Papas sobre o assunto, como: Ecclesiam Suam, de Paulo VI; Ut Unum Sint, de São João Paulo II; Evangelii Gaudium, do Papa Francisco, entre outros.

O coordenador que acompanha a comissão estadual para o ecumenismo neste regional, o Cônego José Bizon incentivou toda a assembleia a estudar esse documento que foi, inclusive, disponibilizado por ele a todos, na pasta com material do evento.

No último dia os participantes tiveram a oportunidade de acompanhar o Havdalah (cerimônia judaica) com José Amarante, candidato ao Rabinato, que, juntamente com sua esposa Ester, explicou o que é o Shabat (dia de descanso) e fez uma breve celebração.

O encontro foi bem acolhido pelo participantes. “O clima foi de muito estudo, convívio fraterno bem animado e muita oração. Uma verdadeira experiência do quanto é bom o convívio entre irmãos e irmãs. Saímos fortalecidos com a convicção ainda mais forte de que ‘juntos somos mais’ ”, avaliou o padre José Bizon.

 

http://www.cnbbsul1.org.br/encontro-ecumenico-em-jundiai-reune-cristaos-de-diferentes-denominacoes/

Presidente Ucraniano quer acelerar separação da igreja do Patriarcado de Moscovo



 

Presidente ucraniano quer acelerar separação da igreja do patriarcado de Moscovo

Mundo

O Presidente ucraniano, Petro Poroshenko, pretende acelerar a separação da igreja do patriarcado de Moscovo, criando uma igreja ortodoxa independente por causa da ameaça que representa a Rússia.

“Eu garanto que as autoridades não irão interferir nos assuntos internos da igreja, mas eu também quero deixar claro que não vamos permitir que outros o façam. Por isso, considero importante cortar todos os tentáculos do país agressor no nosso Estado”, disse Poroshenko durante a celebração da 1.030.º aniversário da cristianização da Rússia de Kiev, confederação criada na Idade Média precursora dos atuais Estados da Ucrânia e da Rússia.

Poroshenko disse que na Rússia a igreja é separada do Estado apenas “no papel”, pois na realidade o seu apoio à política do Kremlin é “total e incondicional”.

“E mais, a doutrina sobre o `mundo russo` nasceu nas células de luxo dos superiores da Igreja Ortodoxa Russa”, disse o Presidente ucraniano, acrescentando que esta situação cria uma ameaça à segurança nacional da Ucrânia, sendo forçado a “atuar”.

Neste sentido, o Presidente está convencido de que o decreto que permitirá à Ucrânia criar a sua própria igreja, previamente solicitado ao Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, irá beneficiar tanto o Estado como a Igreja.

O patriarca da Igreja Russa, Kiril advertiu na sexta-feira que as tentativas de “arrancar” a igreja ucraniana de dentro do patriarcado russo podem levar a uma catástrofe no mundo ortodoxo.

O líder religioso disse que, para os crentes russos, Kiev não é uma cidade qualquer, mas “a mãe de todas as cidades russas” e “o lugar do batismo da Rússia”.

Segundo fontes oficiais, mais de 250.000 fiéis participaram nas celebrações para marcar o 1.030º. aniversário da cristianização da Rússia de Kiev, que começou na sexta-feira, na capital ucraniana.

Hoje vários atos comemorativos do aniversário também terão lugar em Moscovo e Minsk.

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/presidente-ucraniano-quer-acelerar-separacao-da-igreja-do-patriarcado-de-moscovo_n1090054

 

ORAÇÃO ECUMÉNICA DISCURSO DO SANTO PADRE Genebra – Centro Ecuménico WCC Quinta-feira, 21 de junho de 2018



VISITA DO PAPA A GENEBRA

PEREGRINAÇÃO ECUMÉNICA DO PAPA FRANCISCO
A GENEBRA POR OCASIÃO DO 70º ANIVERSÁRIO DA FUNDAÇÃO
DO CONSELHO MUNDIAL DAS IGREJAS

ORAÇÃO ECUMÉNICA

DISCURSO DO SANTO PADRE

Genebra – Centro Ecuménico WCC
Quinta-feira, 21 de junho de 2018

Ouvimos as palavras do apóstolo Paulo aos Gálatas, a braços com transtornos e lutas internas. De facto, havia grupos que se contrapunham e acusavam mutuamente. É neste contexto que por duas vezes, em poucos versículos, o apóstolo convida a «caminhar segundo o Espírito» (cf. Gal 5, 16.25).

Caminhar: o homem é um ser a caminho. Durante toda a vida, é chamado a pôr-se a caminho, saindo continuamente donde se encontra: desde quando sai do ventre da mãe e vai passando duma idade da vida a outra; desde que deixa a casa dos pais até quando sai desta existência terrena. O caminho é uma metáfora que revela o sentido da vida humana, duma vida que não se basta a si mesma, mas está sempre à procura de algo mais. O coração convida-nos a caminhar, a alcançar uma meta.

Mas caminhar requer disciplina, causa fadiga; é necessária paciência diária e treinamento constante. É preciso renunciar a tantas estradas, para se escolher a que conduz à meta e mantê-la viva na memória para não se extraviar dela. Meta e memória. Caminhar requer a humildade de rever os próprios passos, quando for necessário, e a solicitude pelos companheiros de viagem, porque só se caminha bem juntos. Em suma, caminhar exige uma conversão contínua de si mesmo. É por isso que muitos desistem, preferindo a tranquilidade doméstica, onde pode cuidar comodamente dos seus negócios sem se expor aos riscos da viagem. Mas, assim, prende-se a seguranças efémeras, que não dão aquela paz e aquela alegria por que aspira o coração e que se encontram apenas saindo de si próprio.

A isto nos chama Deus, desde os primórdios. Já pedira a Abraão para deixar a sua terra, pondo-se a caminho armado apenas de confiança em Deus (cf. Gn 12, 1). De igual modo Moisés, Pedro e Paulo, e todos os amigos do Senhor viveram caminhando. Mas foi sobretudo Jesus que nos deu o exemplo. Por nós, saiu da sua condição divina (cf. Flp 2, 6-7) e desceu para caminhar entre nós, Ele que é o Caminho (cf. Jo 14, 6). Senhor e Mestre, fez-Se peregrino e hóspede no meio de nós. Tendo regressado ao Pai, deu-nos o seu próprio Espírito, para que também nós tenhamos a força de caminhar na sua direção, de realizar o que Paulo pede: caminhar segundo o Espírito.

Segundo o Espírito: se todo o homem é um ser a caminho e, fechando-se em si mesmo, renega a sua vocação, muito mais o cristão. Porque a vida cristã – assinala Paulo – depara-se com uma alternativa inconciliável: caminhar no Espírito, atendo-se ao traçado inaugurado pelo Batismo, ou «realizar os apetites da carne» (cf. Gal 5, 16). Que significa esta última expressão? Significa tentar realizar-se seguindo o caminho da acumulação de bens, a lógica do egoísmo, segundo a qual o homem procura, aqui e agora, agarrar tudo o que lhe apetece. Não se deixa levar docilmente para onde Deus indica, mas segue a própria rota. Temos diante dos olhos as consequências deste percurso trágico: na sua voracidade de coisas, o homem perde de vista os companheiros de viagem; em consequência, pelas estradas do mundo reina uma grande indiferença. Impelido pelos seus instintos, torna-se escravo dum consumismo desenfreado; em consequência, a voz de Deus é silenciada, os outros – sobretudo se incapazes de caminhar pelo próprio pé como bebés e idosos – são descartados porque importunos, a criação serve apenas para produzir à medida das necessidades.

Amados irmãos e irmãs, mais do que nunca interpelam-nos hoje estas palavras do apóstolo Paulo: caminhar segundo o Espírito é rejeitar o mundanismo. É escolher a lógica do serviço e avançar no perdão. É inserir-se na história com o passo de Deus: não com o passo ribombante da prevaricação, mas com o passo cadenciado por «uma única palavra: Ama o teu próximo como a ti mesmo» (Gal 5, 14). De facto, o caminho do Espírito está assinalado pelos marcos miliários que Paulo enumera: «amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio» (Gal 5, 22).

Somos chamados, juntos, a caminhar assim: a estrada passa por uma conversão contínua, pela renovação da nossa mentalidade para que se amolde ao Espírito Santo. Muitas vezes, no decurso da história, as divisões entre cristãos deram-se porque na raiz, na vida das comunidades, se infiltrou uma mentalidade mundana: primeiro cultivavam-se os próprios interesses e só depois os de Jesus Cristo. Nestas situações, o inimigo de Deus e do homem não teve dificuldade em separar-nos, porque a direção seguida era a da carne, não a do Espírito. Mais, algumas tentativas do passado para acabar com tais divisões falharam miseravelmente, porque inspiradas sobretudo por lógicas mundanas. Mas o movimento ecuménico, para o qual tanto contribuiu o Conselho Ecuménico das Igrejas, surgiu por graça do Espírito Santo (cf. Conc. Ecum. Vat. II, Decr. Unitatis redintegratio, 1). O ecumenismo pôs-nos em movimento segundo a vontade de Jesus e poderá avançar se, caminhando sob a guia do Espírito, recusar toda a reclusão autorreferencial.

Mas – poder-se-ia objetar – caminhar assim é trabalhar com prejuízo, porque não se tutelam devidamente os interesses das próprias comunidades, muitas vezes solidamente ligados a origens étnicas ou a orientações consolidadas, sejam estas de tipo mais «conservador» ou mais «progressista». Sim, escolher ser de Jesus antes que de Apolo ou de Cefas (cf. 1 Cor 1, 12), antepor o ser de Cristo ao facto de ser «judeu ou grego» (cf. Gal 3, 28), ser do Senhor antes que de direita ou de esquerda, escolher em nome do Evangelho o irmão antes que a si mesmo significa frequentemente, aos olhos do mundo, trabalhar com prejuízo. Não tenhamos medo de trabalhar com prejuízo! O ecumenismo é «um grande empreendimento com prejuízo». Mas trata-se de prejuízo evangélico, segundo o caminho traçado por Jesus: «Quem quiser salvar a sua vida, há de perdê-la; mas, quem perder a sua vida por minha causa, há de salvá-la» (Lc 9, 24). Salvaguardar-se a si próprio é caminhar segundo a carne; perder-se seguindo Jesus é caminhar segundo o Espírito. Só assim se produz fruto na vinha do Senhor. Como ensina o próprio Jesus, não quantos amealham produzem fruto na vinha do Senhor, mas os que, servindo, seguem a lógica de Deus, o Qual continua a dar e a dar-Se (cf. Mt 21, 33-42). É a lógica da Páscoa, a única que dá fruto.

Contemplando o nosso caminho, podemos ver espelhadas nele algumas situações das comunidades da Galácia de então: como é difícil amortecer as animosidades e cultivar a comunhão, como é duro sair de contrastes e rejeições mútuas alimentadas durante séculos! E mais árduo ainda é resistir à tentação subtil de estar junto com os outros, caminhar junto, mas com a intenção de satisfazer algum interesse de parte. Esta não é a lógica do Apóstolo; é a de Judas, que caminhava junto com Jesus, mas para proveito dos seus negócios. A resposta aos nossos passos vacilantes é sempre a mesma: caminhar segundo o Espírito, purificando o coração do mal, escolhendo com santa obstinação o caminho do Evangelho e recusando os atalhos do mundo.

Depois de tantos anos de empenho ecuménico, neste septuagésimo aniversário do Conselho, peçamos ao Espírito que revigore o nosso passo. Este detém-se, com demasiada facilidade, à vista das divergências que persistem; muitas vezes bloqueia-se logo à partida, entorpecido pelo pessimismo. Que as distâncias não sejam desculpas! É possível, já agora, caminhar segundo o Espírito. Rezar, evangelizar, servir juntos: isto é possível e agradável a Deus. Caminhar juntos, rezar juntos, trabalhar juntos: eis a nossa estrada-mestra de hoje.

Esta estrada tem uma meta concreta: a unidade. A estrada oposta, a da divisão, leva a guerras e destruições. Basta ler a história. O Senhor pede-nos para embocar continuamente o caminho da comunhão, que leva à paz. De facto, a divisão «contradiz abertamente a vontade de Cristo, e é escândalo para o mundo, como também prejudica a santíssima causa da pregação do Evangelho a toda a criatura» (Decr. Unitatis redintegratio, 1). O Senhor pede-nos unidade; o mundo, dilacerado por demasiadas divisões que afetam sobretudo os mais fracos, invoca unidade.

Amados irmãos e irmãs, desejei vir aqui, peregrino em busca de unidade e de paz. Agradeço a Deus porque aqui vos encontrei a vós, irmãos e irmãs já a caminho. Caminhar juntos, para nós cristãos, não é uma estratégia para fazer valer mais o nosso peso, mas é um ato de obediência ao Senhor e de amor pelo mundo. Obediência a Deus e amor ao mundo, o verdadeiro amor que salva. Peçamos ao Pai para caminhar juntos, com mais vigor, nos caminhos do Espírito. Que a Cruz nos sirva de orientação no caminho, porque lá, em Jesus, foram abatidos os muros de separação e foi vencida toda a inimizade (cf. Ef 2, 14): lá compreendemos que, apesar de todas as nossas fraquezas, nada poderá jamais separar-nos do seu amor (cf. Rm 8, 35-39). Obrigado.

http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2018/june/documents/papa-francesco_20180621_preghiera-ecumenica-ginevra.html

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XII Congresso mariológico – O Rosto mariano da Igreja – Santuário Nacional de Aparecida



Congresso Mariológico encerra com destaque para protagonismo leigo

CONRESSO MARIOLÓGICO

 

 

XII Congresso Mariológico se encerrou na manhã deste sábado (19) no Centro de Eventos do Santuário Nacional de Aparecida. O evento reuniu centenas de pessoas para refletir à luz da razão sobre o perfil mariano da Igreja.

Os membros da organização do Congresso Pe. Joãozinho, da Faculdade Dehoniana, e Pe. Cesar Moreira, diretor da Academia Marial do Santuário Nacional, destacam que esta décima segunda edição foi marcada pelo protagonismo de leigos nas reflexões do evento.

Segundo Pe. Cesar, os temas foram práticos e de fácil aplicação no dia a dia:

“O que mais me chama atenção são os temas que foram muito mais práticos, com coisas que se podem mudar no comportamento e na maneira de falar sobre Nossa Senhora. Como, por exemplo, o relacionamento dos católicos com protestantes e não cristãos”.

“Quando imaginei que veria um mulçumano falando sobre Nossa Senhora? E eles têm até teologia sobre Maria! Então a riqueza do Congresso é muito grande.”PE. CESAR MOREIRA, DIRETOR DA ACADEMIA MARIAL

Destacando as mesas temáticas realizadas na tarde de ontem (18), Pe. Joãozinhoevidenciou o protagonismo dos leigos como palestrantes.

“Tivemos temas como arte, estudo do ícone do Perpétuo Socorro, até o estudo sobre as tatuagens marianas, Nossa Senhora de Schoesnttat, o silêncio místico de Maria, Maria carismática; pessoas de todas as linhas de Igreja que ganharam um espaço novo – e que foi muito bem avaliado – para refletir de maneira breve e pontual, mas muito bem preparada, ou seja, foi leigo trabalhando com leigo”.

A aparecidense Maria Jovita Siqueira participou pela primeira vez do evento e se diz surpreendida pela qualidade das discussões e palestras.

“Quando me convidaram, disseram que era muito profundo, só que para pessoas que já estão mais envolvidas com Teologia, mas eu achei a linguagem tão fácil! Foi profundo, maravilhoso. A gente acabou de se formar guia de turismo e vamos atuar com o Turismo Religioso aqui na região. Então foi esclarecedor, inspirador e pretendo estar nos próximos e também ingressar na Academia”.

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Pe. Joãozinho ainda ressaltou que o Congresso lança perspectivas para que o Santuário Nacional possa se tornar cada vez mais um espaço qualificado de uma fé inteligente.

“A fé busca a razão, a compreensão. O apóstolo Pedro já nos dizia: temos que dar ao mundo as razões da nossa fé, as razões da nossa esperança, e eu diria que temos que dar ao mundo as razões de nossa devoção”.

“O Congresso Mariológico se torna uma grande praça de encontro de todos os que querem mergulhar fundo, agora não mais nas águas do Rio Paraíba, mas nas águas da Mariologia”PE. JOÃOZINHO, FACULDADE DEHONIANA

http://www.a12.com/santuario/noticias/congresso-mariologico-encerra-com-destaque-para-protagonismo-leigo

Congresso traz Virgem Maria em outras tradições religiosas



 

 Thiago Leon.

Algumas das lideranças que estarão no Congresso, durante ato pela paz promovido em março, na Matriz Basílica de Aparecida.

http://www.a12.com/redacaoa12/igreja/congresso-traz-virgem-maria-em-outras-tradicoes-religiosas

compreensão de Maria em outras tradições religiosas está na programação do 12º Congresso Mariológico, que ocorre em Aparecida (SP), de 16 a 19 de maio.

O evento reconhecido nacionalmente por ser um espaço de discussão e reflexão sobre a Virgem Maria traz nesta edição a presença de quatro lideranças religiosas.

Estarão presentes: o Sheikh Mohamad Al Bukai, muçulmano, que irá trazer o tema ‘Maria na Compreensão Islâmica’; Dom Romanós Daoud da Igreja Ortodoxa com o tema ‘Maria na Compreensão Ortodoxa’, o Pastor Geraldo Graf da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil para falar sobre ‘Maria na Compreensão Luterana’ e o Padre Marcial Maçaneiro, da Igreja Católica, perito do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos, para falar sobre ‘Maria na Compreensão Católica’.

O momento conta com a moderação do cônego José Bizon, diretor da Casa da Reconciliação da CNBB, que é um ponto de referência para o Ecumenismo e Diálogo Inter-Religioso no Brasil.

Em entrevista ao A12, o diretor comentou a relevância da reflexão nesta edição do evento.

“Nós católicos precisamos ouvir outras tradições religiosas para entendermos a sua compreensão sobre a Virgem Maria”, disse o diretor ao citar que os muçulmanos, “embora não reconheçam Jesus como Deus, veneram-no como profeta, prestam homenagem à maternidade virginal de Maria e a ela se dirigem, às vezes, com grande devoção”.

:: A compreensão de Maria entre nós cristãos depende muito do diálogo

LEIA MAIS7 inspirações de Maria para os leigosAs sete alegrias de MariaDessa forma, segundo o diretor a possibilidade de compreender o que outras tradições religiosas dizem sobre a Virgem Maria será uma “grande contribuição do Congresso aos seus participantes”.

Cônego Bizon enfatiza ainda que essa reflexão favorece o diálogo entre as religiões, especialmente sobre a pessoa de Maria.

“É enriquecedor ouvir, compreender e aprender de outras tradições religiosas sua compreensão teológica sobre a Virgem Maria. E assim inicia um diálogo, no seu verdadeiro sentido. Pois o diálogo ‘exige que se escute e responda, que se tente compreender e fazer-se compreender. É estar disposto a apresentar questões e, por sua vez, a ser questionado.É comunicar algo de si e ter confiança no que os outros dizem de si próprios’”, assinala.

:: Monjas budistas se encantam com a Casa da Mãe Aparecida

O Congresso Mariológico vai aprofundar neste ano a figura de Maria como modelo para a Igreja com tema ‘O Rosto Mariano da Igreja’. A reflexão teológico-pastoral será feita por teólogos experientes, bispos, sacerdotes, religiosos e leigos e leigas. São destaque no evento, a presença do Arcebispo de Salvador, Primaz do Brasil e Vice-presidente da CNBB, Dom Murilo S. R. Krieger, scj, e o Secretário do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, Roma e Representante oficial do Papa Francisco, Padre Alexandre Awi Mello, ISch.

Mais informações: www.a12.com/academia

 

Líderes católico, judeu e muçulmano repudiam violência em nome da religião



Cardeal Odilo Scherer, Rabino Michel Schlesinger e Cheikh Houssam Ahmad emitiram nota depois de encontro realizado ontem na Cúria Metropolitana (SP).

 

 

O arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Scherer, o rabino da Congregação Israelita Paulista, Michel Schlesinger, e a liderança islâmica no Brasil, Cheikh Houssam Ahmad, emitiram nesta segunda-feira (10/4)  “Nota de repúdio aos atentados no Egito”. No documento, os líderes das três religiões abrâmicas manifestam “solidariedade para com as comunidades e famílias enlutadas do Egito” e conclamam as pessoas “para a promoção do convívio respeitoso, solidário e pacífico entre comunidades de culturas e religiões diversas”.

A nota foi emita depois de um encontro entre os três líderes realizado na Cúria Metropolitana de São Paulo.

 

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http://arquisp.org.br/noticias/lideres-catolico-judeu-e-muculmano-repudiam-violencia-em-nome-da-religiao

 

 

Créditos: Redação do Jornal O São Paulo

Foto: Luciney Martins

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