Líderes católico, judeu e muçulmano repudiam violência em nome da religião



Cardeal Odilo Scherer, Rabino Michel Schlesinger e Cheikh Houssam Ahmad emitiram nota depois de encontro realizado ontem na Cúria Metropolitana (SP).

 

 

O arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Scherer, o rabino da Congregação Israelita Paulista, Michel Schlesinger, e a liderança islâmica no Brasil, Cheikh Houssam Ahmad, emitiram nesta segunda-feira (10/4)  “Nota de repúdio aos atentados no Egito”. No documento, os líderes das três religiões abrâmicas manifestam “solidariedade para com as comunidades e famílias enlutadas do Egito” e conclamam as pessoas “para a promoção do convívio respeitoso, solidário e pacífico entre comunidades de culturas e religiões diversas”.

A nota foi emita depois de um encontro entre os três líderes realizado na Cúria Metropolitana de São Paulo.

 

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http://arquisp.org.br/noticias/lideres-catolico-judeu-e-muculmano-repudiam-violencia-em-nome-da-religiao

 

 

Créditos: Redação do Jornal O São Paulo

Foto: Luciney Martins

Líderes cristãos e judeus pregam respeito e entendimento



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São Paulo, 14 de março de 2017

DECLARAÇÃO

Em face ao momento desafiador que vivemos tanto no cenário internacional como no contexto nacional, decidimos nos manifestar contra o fanatismo e em favor do diálogo.

Em tempos difíceis, cria-se um cenário propício para o advento de lideranças que enxergam no extremismo, no nacionalismo, no ódio ao diferente, a solução para os diversos desafios da sociedade.

Justamente nesta hora, faz-se necessário o reforço de valores como o respeito à dignidade humana, a valorização da diversidade, da democracia, da justiça e da ética.

Judeus e cristãos possuem um passado em comum expresso na Bíblia Hebraica ou Primeiro Testamento. Porém, isso não transforma cristãos em judeus e nem judeus em cristãos. Somente quando reconhecemos nossas diferenças adquirimos a capacidade de aprender uns com os outros e exercitar o sagrado desafio do diálogo.

O Brasil possui uma tradição de diálogo entre os diferentes grupos religiosos, cristãos ou não, que queremos ver fortalecida cada vez mais.

Nos comprometemos, como brasileiros e como religiosos, em continuar trabalhando por uma sociedade que enxerga na diversidade uma oportunidade de aprendizado e crescimento.

Cônego José Bizon, presidente católico da Comissão Nacional de Diálogo Religioso Católico Judaico da CNBB

Dom Flavio Irala, bispo anglicano e presidente do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil

Rabino Michel Schlesinger, presidente judeu da Comissão Nacional de Diálogo Religioso Católico Judaico da CNBB e representante da Confederação Israelita do Brasil para o diálogo inter-religioso.

Fonte:

http://www.conib.org.br/

Palavras do Santo Padre após a assinatura da Declaração comum com o Patriarca Kirill



Santidade,

Eminências,

Reverências,

Falamos como irmãos, temos o mesmo Batismo, somos bispos. Falamos das nossas Igrejas e estamos de acordo que a unidade se faz caminhando. Falamos claramente, sem meias-palavras, e confesso-vos que senti a consolação do Espírito neste diálogo. Agradeço a humildade de Sua Santidade, humildade fraterna e os seus bons desejos de unidade.

Partimos com uma série de iniciativas que penso serem viáveis e poderão realizar-se. Por isso, quero mais uma vez agradecer a Sua Santidade seu acolhimento benévolo, bem como aos colaboradores, nomeadamente, Sua Eminência o Metropolita Hilarión e Sua Eminência o Cardeal Koch, com todas respectivas equipes, que trabalharam para isto.

Não quero ir-me embora sem expressar um sentido agradecimento a Cuba, ao grande povo cubano e ao seu Presidente aqui presente. Agradeço-lhe a sua disponibilidade ativa. Se continuar assim, Cuba será a capital da unidade. E que tudo isto seja para a glória de Deus Pai, Filho e Espírito Santo, e para bem do santo Povo fiel de Deus, sob o manto da Santa Mãe de Deus.

 

©   Copyright – Libreria Editrice Vaticana

Declaração comum do Papa Francisco e do Patriarca Kirill de Moscou e de toda a Rússia.



ASSINATURA DA DECLARAÇÃO CONJUNTA

Aeroporto Internacional “José Martí” de Havana – Cuba

Sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2016

«A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós» (2 Cor 13, 13).

  1. Por vontade de Deus Pai de quem provém todo o dom, no nome do Senhor nosso Jesus Cristo e com a ajuda do Espírito Santo Consolador, nós, Papa Francisco e Kirill, Patriarca de Moscou e de toda a Rússia, encontramo-nos, hoje, em Havana. Damos graças a Deus, glorificado na Trindade, por este encontro, o primeiro na história.

Com alegria, encontramo-nos como irmãos na fé cristã que se reúnem para «falar de viva voz» (2 Jo 12), coração a coração, e analisar as relações mútuas entre as Igrejas, os problemas essenciais de nossos fiéis e as perspectivas de progresso da civilização humana

  1. O nosso encontro fraterno teve lugar em Cuba, encruzilhada entre Norte e Sul, entre Leste e Oeste. A partir desta ilha, símbolo das esperanças do «Novo Mundo» e dos acontecimentos dramáticos da história do século XX, dirigimos a nossa palavra a todos os povos da América Latina e dos outros continentes.

Alegramo-nos por estar a crescer aqui, de forma dinâmica, a fé cristã. O forte potencial religioso da América Latina, a sua tradição cristã secular, presente na experiência pessoal de milhões de pessoas, são a garantia dum grande futuro para esta região.

  1. Encontrando-nos longe das antigas disputas do «Velho Mundo», sentimos mais fortemente a necessidade dum trabalho comum entre católicos e ortodoxos, chamados a dar ao mundo, com

mansidão e respeito, razão da esperança que está em nós (cf. 1 Ped 3, 15).

  1. Damos graças a Deus pelos dons que recebemos da vinda ao mundo do seu único Filho.Partilhamos a Tradição espiritual comum do primeiro milênio do cristianismo. As testemunhas desta Tradição são a Virgem Maria, Santíssima Mãe de Deus, e os Santos que veneramos. Entre eles, contam-se inúmeros mártires que testemunharam a sua fidelidade a Cristo e se tornaram «semente de cristãos».
  2. Apesar desta Tradição comum dos primeiros dez séculos, há quase mil anos que católicos e ortodoxos estão privados da comunhão na Eucaristia. Estamos divididos por feridas causadas por conflitos dum passado distante ou recente, por divergências – herdadas dos nossos antepassados – na compreensão e explicitação da nossa fé em Deus, uno em três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Deploramos a perda da unidade, consequência da fraqueza humana e do pecado, ocorrida apesar da Oração Sacerdotal de Cristo Salvador: «Para que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti; para que assim eles estejam em Nós» (Jo 17, 21).
  3. Conscientes da permanência de numerosos obstáculos, esperamos que o nosso encontro possa contribuir para o restabelecimento desta unidade querida por Deus, pela qual Cristo rezou. Que o nosso encontro inspire os cristãos do mundo inteiro a rezar ao Senhor, com renovado fervor, pela unidade plena de todos os seus discípulos. Num mundo que espera de nós não apenas palavras mas gestos concretos, possa este encontro ser um sinal de esperança para todos os homens de boa vontade!
  4. Determinados a realizar tudo o que seja necessário para superar as divergências históricas que herdamos, queremos unir os nossos esforços para testemunhar o Evangelho de Cristo e o patrimônio comum da Igreja do primeiro milênio, respondendo em conjunto aos desafios do mundo contemporâneo. Ortodoxos e católicos devem aprender a dar um testemunho concorde da verdade, em áreas onde isso seja possível e necessário. A civilização humana entrou num período de mudança de época. A nossa consciência cristã e a nossa responsabilidade pastoral não nos permitem ficar inertes perante os desafios que requerem uma resposta comum.
  5. O nosso olhar dirige-se, em primeiro lugar, para as regiões do mundo onde os cristãos são vítimas de perseguição. Em muitos países do Médio Oriente e do Norte de África, os nossos irmãos e irmãs em Cristo vêm exterminadas as suas famílias, aldeias e cidades inteiras. As suas igrejas são barbaramente devastadas e saqueadas; os seus objetos sagrados profanados, os seus monumentos destruídos. Na Síria, no Iraque e noutros países do Médio Oriente, constatamos, com amargura, o êxodo maciço dos cristãos da terra onde começou a espalhar-se a nossa fé e onde eles viveram, desde o tempo dos apóstolos, em conjunto com outras comunidades religiosas.
  6. Pedimos a ação urgente da comunidade internacional para prevenir nova expulsão dos cristãos do Médio Oriente. Ao levantar a voz em defesa dos cristãos perseguidos, queremos expressar a nossa compaixão pelas tribulações sofridas pelos fiéis doutras tradições religiosas, também eles vítimas da guerra civil, do caos e da violência terrorista.
  7. Na Síria e no Iraque, a violência já causou milhares de vítimas, deixando milhões de pessoas sem casa nem meios de subsistência. Exortamos a comunidade internacional a unir-se para pôr termo à violência e ao terrorismo e, ao mesmo tempo, a contribuir através do diálogo para um rápido restabelecimento da paz civil. É essencial garantir uma ajuda humanitária em larga escala às populações martirizadas e a tantos refugiados nos países vizinhos.

Pedimos a quantos possam influir sobre o destino das pessoas raptadas, entre as quais se contam os Metropolitas de Alepo, Paulo e João Ibrahim, sequestrados no mês de Abril de 2013, que façam tudo o que é necessário para a sua rápida libertação.

  1. Elevamos as nossas súplicas a Cristo, Salvador do mundo, pelo restabelecimento da paz no Médio Oriente, que é «fruto da justiça» (Is 32, 17), a fim de que se reforce a convivência fraterna entre as várias populações, as Igrejas e as religiões lá presentes, pelo regresso dos refugiados às suas casas, a cura dos feridos e o repouso da alma dos inocentes que morreram.

Com um ardente apelo, dirigimos-nos a todas as partes que possam estar envolvidas nos conflitos pedindo-lhes que deem prova de boa vontade e se sentem à mesa das negociações. Ao mesmo tempo, é preciso que a comunidade internacional faça todos os esforços possíveis para pôr fim ao terrorismo valendo-se de ações comuns, conjuntas e coordenadas. Apelamos a todos os países envolvidos na luta contra o terrorismo, para que atuem de maneira responsável e prudente. Exortamos todos os cristãos e todos os crentes em Deus a suplicarem, fervorosamente, ao Criador providente do mundo que proteja a sua criação da destruição e não permita uma nova guerra mundial. Para que a paz seja duradoura e esperançosa, são necessários esforços específicos tendentes a redescobrir os valores comuns que nos unem, fundados no Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.

  1. Curvamo-nos perante o martírio daqueles que, à custa da própria vida, testemunham a verdade do Evangelho, preferindo a morte à apostasia de Cristo. Acreditamos que estes mártires do nosso tempo, pertencentes a várias Igrejas mas unidos por uma tribulação comum, são um penhor da unidade dos cristãos. É a vós, que sofreis por Cristo, que se dirige a palavra do Apóstolo: «Caríssimos, (…) alegrai-vos, pois assim como participais dos padecimentos de Cristo, assim também rejubilareis de alegria na altura da revelação da sua glória» (1 Ped 4, 12-13).
  2. Nesta época preocupante, é indispensável o diálogo inter-religioso. As diferenças na compreensão das verdades religiosas não devem impedir que pessoas de crenças diversas vivam em paz e harmonia. Nas circunstâncias atuais, os líderes religiosos têm a responsabilidade particular de educar os seus fiéis num espírito respeitador das convicções daqueles que pertencem a outras tradições religiosas. São absolutamente inaceitáveis as tentativas de justificar ações criminosas com slôganes religiosos. Nenhum crime pode ser cometido em nome de Deus, «porque Deus não é um Deus de desordem, mas de paz» (1 Cor 14, 33).
  3. Ao afirmar o alto valor da liberdade religiosa, damos graças a Deus pela renovação sem precedentes da fé cristã que agora está a acontecer na Rússia e em muitos países da Europa Oriental, onde, durante algumas décadas, dominaram os regimes ateus. Hoje as cadeias do ateísmo militante estão quebradas e, em muitos lugares, os cristãos podem livremente confessar a sua fé. Num quarto de século, foram construídas dezenas de milhares de novas igrejas, e abertos centenas de mosteiros e escolas teológicas. As comunidades cristãs desenvolvem uma importante atividade sócio-caritativa, prestando variada assistência aos necessitados. Muitas vezes trabalham lado a lado ortodoxos e católicos; atestam a existência dos fundamentos espirituais comuns da convivência humana, ao testemunhar os valores do Evangelho.
  4. Ao mesmo tempo, estamos preocupados com a situação em muitos países onde os cristãos se debatem cada vez mais frequentemente com uma restrição da liberdade religiosa, do direito de testemunhar as suas convicções e da possibilidade de viver de acordo com elas. Em particular, constatamos que a transformação de alguns países em sociedades secularizadas, alheias a qualquer referência a Deus e à sua verdade, constitui uma grave ameaça à liberdade religiosa. É fonte de inquietação para nós a limitação atual dos direitos dos cristãos, se não mesmo a sua discriminação, quando algumas forças políticas, guiadas pela ideologia dum secularismo frequentemente muito agressivo, procuram relegá-los para a margem da vida pública.
  5. O processo de integração europeia, iniciado depois de séculos de sangrentos conflitos, foi acolhido por muitos com esperança, como uma garantia de paz e segurança. Todavia convidamos a manter-se vigilantes contra uma integração que não fosse respeitadora das identidades religiosas. Embora permanecendo abertos à contribuição doutras religiões para a nossa civilização, estamos convencidos de que a Europa deve permanecer fiel às suas raízes cristãs. Pedimos aos cristãos da Europa Oriental e Ocidental que se unam para testemunhar em conjunto Cristo e o Evangelho, de modo que a Europa conserve a própria alma formada por dois mil anos de tradição cristã.
  6. O nosso olhar volta-se para as pessoas que se encontram em situações de grande dificuldade, em condições de extrema necessidade e pobreza, enquanto crescem as riquezas materiais da humanidade. Não podemos ficar indiferentes à sorte de milhões de migrantes e refugiados que batem à porta dos países ricos. O consumo desenfreado, como se vê em alguns países mais desenvolvidos, está gradualmente esgotando os recursos do nosso planeta. A crescente desigualdade na distribuição dos bens da Terra aumenta o sentimento de injustiça perante o sistema de relações internacionais que se estabeleceu.
  7. As Igrejas cristãs são chamadas a defender as exigências da justiça, o respeito pelas tradições dos povos e uma autêntica solidariedade com todos os que sofrem. Nós, cristãos, não devemos esquecer que «o que há de louco no mundo é que Deus escolheu para confundir os sábios; e o que há de fraco no mundo é que Deus escolheu para confundir o que é forte. O que o mundo considera vil e desprezível é que Deus escolheu; escolheu os que nada são, para reduzir a nada aqueles que são alguma coisa. Assim, ninguém se pode vangloriar diante de Deus» (1 Cor 1, 27-29).
  8. A família é o centro natural da vida humana e da sociedade. Estamos preocupados com acrise da família em muitos países. Ortodoxos e católicos partilham a mesma concepção da família e são chamados a testemunhar que ela é um caminho de santidade, que testemunha a fidelidade dos esposos nas suas relações mútuas, a sua abertura à procriação e à educação dos filhos, a solidariedade entre as gerações e o respeito pelos mais vulneráveis.
  9. A família funda-se no matrimônio, ato de amor livre e fiel entre um homem e uma mulher. É o amor que sela a sua união e os ensina a acolher-se reciprocamente como um dom. O matrimônio é uma escola de amor e fidelidade. Lamentamos que outras formas de convivência já estejam postas ao mesmo nível desta união, ao passo que o conceito, santificado pela tradição bíblica, de paternidade e de maternidade como vocação particular do homem e da mulher no matrimônio, seja banido da consciência pública.
  10. Pedimos a todos que respeitem o direito inalienável à vida. Milhões de crianças são privadas da própria possibilidade de nascer no mundo. A voz do sangue das crianças não nascidas clama

a Deus (cf. Gn 4, 10).

O desenvolvimento da chamada eutanásia faz com que as pessoas idosas e os doentes comecem a sentir-se um peso excessivo para as suas famílias e a sociedade em geral.

Estamos preocupados também com o desenvolvimento das tecnologias reprodutivas biomédicas, porque a manipulação da vida humana é um ataque aos fundamentos da existência do homem, criado à imagem de Deus. Consideramos nosso dever lembrar a imutabilidade dos princípios morais cristãos, baseados no respeito pela dignidade do homem chamado à vida, segundo o desígnio do Criador.

  1. Hoje, desejamos dirigir-nos de modo particular aos jovens cristãos. Vós, jovens, tendes o dever de não esconder o talento na terra (cf. Mt 25, 25), mas de usar todas as capacidades que Deus vos deu para confirmar no mundo as verdades de Cristo, encarnar na vossa vida os mandamentos evangélicos do amor de Deus e do próximo. Não tenhais medo de ir contra a corrente, defendendo a verdade de Deus, à qual estão longe de se conformar sempre as normas secularizadas de hoje.
  2. Deus ama-vos e espera de cada um de vós que sejais seus discípulos e apóstolos. Sede a luz do mundo, de modo que quantos vivem ao vosso redor, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está no Céu (cf. Mt 5, 14.16). Haveis de educar os vossos filhos na fé cristã,

transmitindo-lhes a pérola preciosa da fé (cf. Mt 13, 46), que recebestes dos vossos pais e antepassados. Lembrai-vos que «fostes comprados por um alto preço» (1 Cor 6, 20), a custo da morte na cruz do Homem-Deus Jesus Cristo.

  1. Ortodoxos e católicos estão unidos não só pela Tradição comum da Igreja do primeiro milênio mas também pela missão de pregar o Evangelho de Cristo no mundo de hoje. Esta missão exige o respeito mútuo entre os membros das comunidades cristãs e exclui qualquer forma de proselitismo.

Não somos concorrentes, mas irmãos: por esta certeza, devem ser guiadas todas as nossas ações recíprocas e em benefício do mundo exterior. Exortamos os católicos e os ortodoxos de todos os países a aprender a viver juntos na paz e no amor e a ter «os mesmos sentimentos, uns com os outros» (Rm 15, 5). Por isso, é inaceitável o uso de meios desleais para incitar os crentes a passar duma Igreja para outra, negando a sua liberdade religiosa ou as suas tradições. Somos chamados a pôr em prática o preceito do apóstolo Paulo: «Tive a maior preocupação em não anunciar o Evangelho onde já era invocado o nome de Cristo, para não edificar sobre fundamento alheio» (Rm 15, 20).

  1. Esperamos que o nosso encontro possa contribuir também para a reconciliação, onde existirem tensões entre greco-católicos e ortodoxos. Hoje, é claro que o método do «uniatismo» do passado, entendido como a união duma comunidade à outra separando-a da sua Igreja, não é uma forma que permita restabelecer a unidade. Contudo, as comunidades eclesiais surgidas nestas circunstâncias históricas têm o direito de existir e de empreender tudo o que é necessário para satisfazer as exigências espirituais dos seus fiéis, procurando ao mesmo tempo viver em paz com os seus vizinhos. Ortodoxos e greco-católicos precisam de reconciliar-se e encontrar formas mutuamente aceitáveis de convivência.
  2. Deploramos o conflito na Ucrânia que já causou muitas vítimas, provocou inúmeras tribulações a gente pacífica e lançou a sociedade numa grave crise econômica e humanitária. Convidamos todas as partes do conflito à prudência, à solidariedade social e à atividade de construir a paz. Convidamos as nossas Igrejas na Ucrânia a trabalhar por se chegar à harmonia social, abster-se de participar no conflito e não apoiar ulteriores desenvolvimentos do mesmo.
  3. Esperamos que o cisma entre os fiéis ortodoxos na Ucrânia possa ser superado com base nas normas canônicas existentes, que todos os cristãos ortodoxos da Ucrânia vivam em paz e harmonia, e que as comunidades católicas do país contribuam para isso de modo que seja visível cada vez mais a nossa fraternidade cristã.
  4. No mundo contemporâneo, multiforme e todavia unido por um destino comum, católicos e ortodoxos são chamados a colaborar fraternalmente no anúncio da Boa Nova da salvação, a testemunhar juntos a dignidade moral e a liberdade autêntica da pessoa, «para que o mundo creia» (Jo 17, 21). Este mundo, onde vão desaparecendo progressivamente os pilares espirituais da existência humana, espera de nós um vigoroso testemunho cristão em todas as áreas da vida pessoal e social. Nestes tempos difíceis, o futuro da humanidade depende em grande parte da nossa capacidade conjunta de darmos testemunho do Espírito de verdade.
  5. Neste corajoso testemunho da verdade de Deus e da Boa Nova de salvação, possa sustenta nosso Homem-Deus Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador, que nos fortifica espiritualmente com a sua promessa infalível: «Não temais, pequenino rebanho, porque aprouve ao vosso Pai dar-vos o Reino» (Lc 12, 32).

Cristo é fonte de alegria e de esperança. A fé n’Ele transfigura a vida humana, enche-a de significado. Disto mesmo puderam convencer-se, por experiência própria, todos aqueles a quem é possível aplicar as palavras do apóstolo Pedro: «Vós que outrora não éreis um povo, mas sois agora povo de Deus, vós que não tínheis alcançado misericórdia e agora alcançastes misericórdia» (1 Ped 2, 10).

  1. Cheios de gratidão pelo dom da compreensão recíproca manifestada durante o nosso encontro, levantamos os olhos agradecidos para a Santíssima Mãe de Deus, invocando-A com as palavras desta antiga oração: «Sob o abrigo da vossa misericórdia, nos refugiamos, Santa Mãe de Deus». Que a bem-aventurada Virgem Maria, com a sua intercessão, encoraje à fraternidade aqueles que A veneram, para que, no tempo estabelecido por Deus, sejam reunidos em paz e harmonia num só povo de Deus para glória da Santíssima e indivisível Trindade!

Francisco

Bispo de Roma

Papa da Igreja Católica

Kirill

Patriarca de Moscou e de toda a Rússia

 

 

Havana (Cuba), 12 de Fevereiro de 2016.

 

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http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2016/february/documents/papa-francesco_20160212_dichiarazione-comune-kirill.html

Papa Francisco visita a Sinagoga de Roma



Cidade do Vaticano- Francisco tornou-se, na tarde deste domingo (17/01), o terceiro Pontífice a visitar a Sinagoga de Roma. Durante a visita a Sinagoga (Templo Maior), o Papa recordou a expressão cunhada por São João Paulo II que, em 1986, disse que os judeus são os “irmãos mais velhos” dos cristãos. Francisco incentivou todos a seguirem com perseverança nos empenhos da construção do diálogo judaico-cristão e recordou os judeus romanos perseguidos deportados durante a invasão nazista.

Eis, o discurso do Santo Padre

“Caros irmãos e irmãs,

Sinto-me feliz por estar aqui, entre vós, nesta Sinagoga. Agradeço pelas palavras cordiais do Dr. Di Segni, a senhora Durighello e o Dr. Gattegna. Agradeço a todos vós pela calorosa recepção. Tada rabbá! Obrigado!

Na minha primeira visita a esta Sinagoga, como Bispo de Roma, desejo expressa-lhes, como também a todas as Comunidades judaicas, a saudação fraterna de paz desta e de toda a Igreja católica.

As nossas relações me interessam muito. Em Buenos Aires, eu já estava acostumado a frequentar as sinagogas para encontrar as comunidades lá reunidas; seguir de perto as festividades e comemorações judaicas; dar graças ao Senhor, que nos dá a vida e nos acompanha no caminho da história.

Ao longo do tempo, criou-se uma união espiritual que favoreceu o nascimento de autênticas relações de amizade, que inspirou um empenho comum. No diálogo inter-religioso é fundamental encontrar-nos, como irmãos e irmãs, diante do nosso Criador e a Ele prestar louvor; respeitar-nos e apreciar-nos mutuamente e colaborar.

No diálogo judeu-cristão há uma ligação única e peculiar em virtude das raízes judaicas do cristianismo: judeus e cristãos devem, portanto, sentir-se irmãos, unidos pelo próprio Deus e por um rico patrimônio espiritual comum (cf. Declaração Nostra aetate, 4) no qual basear-nos e continuar a construir o futuro.

Ao visitar esta Sinagoga, prossigo nas sendas dos meus Predecessores. O Papa João Paulo II esteve aqui há trinta anos, em 13 de abril de 198; Papa Bento XVI esteve entre vós há seis anos atrás, agora estou eu aqui.

Na sua primeira visita, João Paulo II cunhou a bela expressão “irmãos mais velhos”! De fato, vocês são os nossos irmãos e as nossas irmãs mais velhos na fé. Todos nós pertencemos a uma única família, a família de Deus; juntos, Ele nos acompanha e nos protege como seu Povo; juntos, como judeus e como católicos, somos chamados a assumir as nossas responsabilidades por esta cidade, dando a nossa contribuição, também espiritual, e favorecendo a resolução dos diversos problemas atuais.

Espero que aumentem, sempre mais, a proximidade espiritual, o conhecimento e a estima recíprocos entre as nossas duas comunidades de fé. Por isso, é significativa a minha vinda entre no vosso seio, precisamente hoje, 17 de janeiro, o dia em que a Conferência Episcopal italiana celebra o “Dia do diálogo entre Católicos e Judeus”.

Comemoramos, há pouco, o 50° aniversário da Declaração Nostra Aetate do Concílio Vaticano II, que tornou possível o diálogo sistemático entre a Igreja católica e o Judaísmo.

No passado dia 28 de outubro, na Praça São Pedro, pude saudar também um grande número de representantes judaicos, aos quais dirigi as seguintes palavras: “A verdadeira e própria transformação da relação entre Cristãos e Judeus, durante estes 50 anos, merece uma gratidão especial a Deus. A indiferença e a oposição se converteram em colaboração e em benevolência. De inimigos e estranhos, tornamo-nos amigos e irmãos”.

O Concílio, com a Declaração Nostra Aetate, traçou o caminho: “sim” à descoberta das raízes judaicas do cristianismo; “não” a toda forma de antissemitismo e condenação de toda injúria, discriminação e perseguição, que disso derivam”.

Nostra Aetate definiu, teologicamente, pela primeira vez e de maneira explícita, as relações da Igreja católica com o Judaísmo. Ela, naturalmente, não resolveu todas as questões teológicas que nos dizem respeito, mas fez uma referência encorajador, fornecendo um estímulo importantíssimo para ulteriores e necessárias reflexões.

A propósito, em 10 de dezembro de 2015, a Comissão para as Relações religiosas com o Judaísmo publicou um novo documento que aborda as questões teológicas, emergidas nos últimos decênios, após a Declaração Nostra Aetate (n. 4).

Com efeito, a dimensão teológica do diálogo judaico-católico merece ser sempre mais aprofundada. Por isso, encorajo todos aqueles que estão comprometidos com este diálogo a continuar neste caminho, com discernimento e perseverança.

Do ponto de vista teológico, aparece sempre claramente a indivisível ligação que une Cristãos e Judeus. Para se compreenderem, os cristãos não podem não fazer referência às raízes judaicas; a própria Igreja, professando a salvação, mediante a fé em Cristo, reconhece a irrevocabilidade da Antiga Aliança e o amor constante e fiél de Deus por Israel.

Por mais importante que sejam as questões teológicas, não devemos perder de vista as situações difíceis, com as quais o mundo de hoje se defronta. Os conflitos, as guerras, as violências e as injustiças causam ferimentos profundos na humanidade e nos impelem a comprometer-nos pela paz e pela justiça. A violência do homem contra o homem está em absoluta contradição com qualquer religião, digna deste nome e, em particular, com as três grandes Religiões monoteístas.

A vida é sagrada, como dom de Deus. O quinto mandamento do Decálogo, diz: “Não matar” (Ex 20,13). Deus, que é Deus da vida, quer sempre promovê-la e salvaguardá-la. E nós, criados à sua imagem e semelhança, devemos fazer o mesmo. Todo o ser humano, como criatura de Deus, é irmão, independentemente da sua origem ou da sua pertença religiosa.

Toda pessoa deve ser vista com benevolência, como faz Deus, que estende a sua mão misericordiosa a todos, independentemente da sua fé e da sua proveniência; Ele dispensa atenção particular aos que mais precisam dele: os pobres, os enfermos, os marginalizados, os indefesos.

Lá, onde a vida corre perigo, somos chamados, por isso, a promovê-la e a salvaguardá-la. Quanto mais nos sentirmos ameaçados, tanto mais deveríamos confiar em Deus, que é a nossa defesa e o nosso refúgio (cf. Sal 3,4; 32,7), procurando fazer resplandecer em nós o seu rosto de paz e de esperança, sem jamais ceder ao ódio e à vingança. A violência e a morte jamais terão a última palavra diante de Deus, que é Deus do amor e da vida!

Devemos invocá-Lo com insistência, para que nos ajude a praticar – na Europa, na Terra Santa, no Oriente Médio, na África e em qualquer outra parte do mundo, – não a lógica da guerra, da violência, da morte, mas a da paz, da reconciliação, do perdão, da vida.

O povo judaico, na sua história, teve que padecer violências e perseguições, até ao extermínio dos judeus europeus, durante o periodo da Shoah. Seis milhões de pessoas, apenas por pertencerem ao povo judaico, foram vítimas da barbárie mais desumana perpetrada em nome de uma ideologia, que queria substituir Deus com o homem. Em 16 de outubro de 1943, mais de mil homens, mulheres e crianças da comunidade judaica de Roma, foram deportados para Auschwitz.

Hoje, quero recordar-lhes de modo particular: os seus sofrimentos, as suas angústias, as suas lágrimas nunca devem ser esquecidas. O passado deve servir de lição par o presente e o futuro. A Shoah ensina-nos que é preciso sempre máxima vigilância, para poder intervir, tempestivamente, em defesa da dignidade humana e da paz. Queria expressar a minha solidariedade a cada testemunha da Shoah que ainda vive; saúdo, de modo particular, aqueles que hoje estão presentes aqui.

Queridos irmãos mais velhos, devemos realmente ser gratos por tudo o que foi possível realizar nos últimos cinquenta anos, porque aumentaram e aprofundaram a compreensão recíproca e a mútua confiança e amizade.

Peçamos juntos ao Senhor, a fim de que conduza o nosso caminho rumo a um futuro bom e melhor. Deus tem para nós projetos de salvação, como diz o profeta Jeremias: “Conheço os meus projetos sobre vós – oráculo do Senhor -: são projetos de felicidade e não de sofrimento, para dar-lhes um futuro e uma esperança” (Jer 29,11).

Que o Senhor nos abençoe e nos guarde. Faça resplandecer sobre nós a sua face e nos dê a sua graça. Que o Senhor dirija o seu olhar para nós e nos dê a paz (Num 6,24-26).

Shalom alechem!”

Fonte: http://pt.radiovaticana.va/news/2016/01/17/papa_francisco_visita_a_sinagoga_de_roma/1201741

Reapresentação do Programa Ação Nacional



Próxima quinta-feira 21 de janeiro, às 21h15 haverá reapresentação do programa “Ação Nacional” na Rede Século 21, com o tema: Intolerância Religiosa, que foi gravado na Casa da Reconciliação. E reprise no próximo domingo, às 23h15.

Encontro Inter Religioso na Casa da Reconciliação



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O encontro aconteceu no dia 5 de Novembro de 2015.

Vladimir Herzog – Ato Interreligioso 40 anos depois



 

Vaticano e Isesco na Argentina para o futuro do diálogo islâmico-cristão Buenos Aires recebe autoridades muçulmanas e católicas para a “Conferência Internacional sobre a promoção de uma cultura de respeito mútuo e de solidariedade humana entre os religiosos”



CABA, 23 de Setembro de 2015 (ZENIT.org)

 

Entre 18 e 19 de novembro realizou-se um encontro ecumênico em Buenos Aires promovido pelo Vaticano e pela Isesco (Islamic Educational, Scientific and Cultural Organization), uma das instituições de maior prestígio no mundo islâmico, em presença de autoridades do governo argentino.

 

O imã Yahya Pallavicini, da Isesco para o Ocidente, coordenou algumas sessões em conjunto com uma delegação da Santa Sé representada pelo cardeal Jean-Louis Tauran, presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso, e por seu diretor, Miguel Angel Ayuso.

 

Entre os principais oradores, participaram também Abdulaziz Othman Altwaijri, diretor geral da organização, Omar Abboud, presidente do Instituto para o Diálogo Inter-Religioso (e amigo do papa) e Muhammad Yusuf Hallar, secretário geral da Organização Islâmica da América Latina e do Caribe, além de representantes das comunidades muçulmanas argentinas.

 

Altwaijri e Tauran expressaram “a sua determinação de promover ativamente o diálogo entre a Isesco e o Vaticano a fim de promover a paz mundial, proteger a dignidade humana e apoiar a cooperação entre o mundo cristão e o islâmico”. Entre os temas, “Cultura religiosa e valores humanos compartilhados”, “A promoção do diálogo entre os fiéis das religiões para aumentar a solidariedade humana”, “Estereótipos distorcidos das religiões e propostas para corrigi-los”, “O papel das instituições religiosas na promoção do respeito mútuo entre os fiéis”.

 

Também foram abordadas questões como a família, a educação e o necessário reconhecimento das raízes culturais e religiosas da humanidade, para dissipar as tendências a marginalizar o papel das religiões.

 

Yahya Pallavicini declarou: “Em algumas regiões do mundo, testemunhamos a manipulação da identidade confessional como suposta justificativa para a violência fratricida. Enquanto isso, multiplicam-se iniciativas que, desde o encontro histórico de 1986, em Assis, promovido por São João Paulo II, reúnem autoridades religiosas autênticas, teólogos iluminados, intelectuais honestos, simples fiéis e cidadãos ativamente envolvidos na coesão social, no respeito mútuo, no diálogo inter-religioso e na solidariedade. A voz e as obras piedosas desses homens e mulheres não parecem tão relevantes diante das imagens dramáticas de criminosos e vítimas, mas são, na realidade, o antídoto para a barbárie da violência e representam a esperança concreta de uma perspectiva saudável e santa da vida do homem sobre a terra”.

 

Nota de Repúdio



A PASTORAL AFRO-BRASILEIRA também apoia a Nota de Repúdio aos ataques desferidos contra as comunidades tradicionais de Matrizes Africanas em todo o Brasil.

A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (SEPPIR/PR) repudia veementemente os ataques desferidos contra comunidades tradicionais de matriz africana em todo o Brasil. Recentemente, ataques motivados pela violência religiosa foram praticados contra casas de matriz africana nas cidades de Santo Antônio do Descoberto e Águas Lindas, no estado de Goiás, mas sabemos que estes não são casos isolados. Também há pouco tempo, o país ficou chocado com o ataque a uma família brasileira praticante de uma religião de matriz africana no Rio de Janeiro. Uma criança foi apedrejada, o que evidencia o grau de violência envolvida no acontecimento. O motivo da agressão é, tão somente, que essa família integra uma comunidade que segue as tradições e visões de mundo africanas que vieram para as Américas no período escravista e que permanecem vivas no Brasil até hoje, compartilhadas por milhões de pessoas. Outro caso recente envolveu o falecimento de Mãe Dede de Iansã, na Bahia, uma senhora já idosa, que sofria agressões sistemáticas de pessoas que a acusavam de praticar uma seita demoníaca. O infarto que Mãe Dedé sofreu é interpretado como resultado da tristeza e sofrimento causado pela situação. Independente da causa mortis dessa liderança tradicional, a SEPPIR lamenta essa perda, e aponta o componente racista desses ataques muitas vezes interpretados apenas como intolerância religiosa. O povo brasileiro tem liberdade de culto assegurada desde a República Velha, no século XIX. Mas as práticas religiosas de povos e comunidades de matriz africana e de terreiros seguiram sendo reprimidas e desvalorizadas. Por décadas foi exigido que casas tradicionais tivessem registro na polícia para permissão de funcionamento, por exemplo. Essa condição de segunda cidadania explicita o racismo contido nos ataques feitos a essas comunidades, crime que vai além da tolerância ou não a uma prática religiosa. Os povos tradicionais de matriz africana e de terreiros se reconhecem como unidades de resistência cultural no país. Esses coletivos se caracterizam pela manutenção de um contínuo civilizatório africano no Brasil, constituindo territórios próprios marcados pela vivência comunitária, pela ajuda mútua, pelo acolhimento e pela prestação de serviços sociais. A SEPPIR, por meio da Ouvidoria Nacional da Igualdade Racial, envidará esforços para que sejam apurados os fatos dessas e de outras agressões sofridas por esses povos e suas comunidades, que são importante patrimônio cultural do Brasil e da humanidade. É fundamental que o país esteja unido para enfrentar o racismo em todas as suas manifestações, como forma de construirmos uma sociedade democrática e sem discriminação racial.

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