Francisco: diálogo entre religiões, antídoto para o extremismo



O Papa entregou ao cardeal Koch, presidente do dicastério para a promoção da unidade dos cristãos, o discurso à delegação do Comitê Judaico Internacional para as Consultas Inter-Religiosas. A intensificação da dor no joelho impediu-lhe o encontro

 

O Papa Francisco em Jerusalém, no Muro das Lamentações, em 26 de maio de 2014 (Vatican Media)

 

A Sala de Imprensa Vaticana anunciou que o Papa na manhã desta quinta-feira, 30 de junho, não pôde encontrar a delegação do Comitê Judaico Internacional para as Consultas Inter-Religiosas devido ao agravamento das dores no joelho. Contudo, Francisco entregou ao cardeal Kurt Koch, presidente do dicastério para a promoção da unidade dos cristãos, o texto preparado para a ocasião.

Ódio e violência incompatíveis com a fé

Central nas palavras do Pontífice, o chamado a enfrentar “discórdias, divergências e conflitos não agressivamente, mas sem preconceitos e com intenções pacíficas, a fim de encontrar pontos de convergência aceitáveis por todos”, pois “o ódio e a violência são incompatíveis com a nossa fé”.

Judeus e cristãos, somos chamados a nos comportar de tal forma que nos pareçamos o mais possível com nosso Criador e Pai. Isto – nós sabemos – torna-se muito difícil quando estamos sujeitos a abusos e perseguições, como tem acontecido muitas vezes na história e infelizmente também acontece hoje.

Francisco assegurou o compromisso da Igreja católica de combater “toda forma de antissemitismo, sobretudo através de ações preventivas, ou seja, no nível educacional, tanto nas famílias, nas comunidades paroquiais e nas escolas, como nas agregações leigas”.

O Deus da misericórdia

Em seu discurso, o Papa reiterou a necessidade do diálogo entre judeus e cristãos, nestes nossos “tempos turbulentos”, enfatizando que é importante trabalhar em conjunto “para buscar contrastar certas tendências negativas em nossas sociedades ocidentais: a idolatria do eu e do dinheiro; o individualismo exasperado; a cultura da indiferença e do descarte”.

Somos chamados a testemunhar juntos o Deus da misericórdia e da justiça, que ama e cuida das pessoas; e podemos fazer isso haurindo o patrimônio espiritual que em parte compartilhamos e que temos a responsabilidade de preservar e aprofundar.

Diálogo, via mestra

Em seguida, Francisco enfatizou como o diálogo inter-religioso é “um sinal de nossos tempos”, “providencial” porque é Deus quem inspira o desejo de encontro e de conhecimento, respeitando as diferenças religiosas.

Esta é uma via mestra para fazer crescer a fraternidade e a paz no mundo. Fortalecendo o diálogo, podemos resistir ao extremismo, que infelizmente é uma patologia que também pode se manifestar nas religiões.

O Comitê Judaico Internacional para Consultas Inter-Religiosas foi criado, ressaltou o Papa, em 1970, com o objetivo de promover e acompanhar o diálogo inter-religioso no mundo inteiro. Reúne muitas grandes organizações judaicas, especialmente sediadas nos EUA, e desde seu início tem estado em contato com a Comissão da Santa Sé para as Relações Religiosas com o Judaísmo, e junto com ela organiza regularmente conferências conjuntas sobre temas de atualidade.

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